Exposição das Obras: de 13 a 27 de outubro de 2013 (Entrada Franca)
Conferência e lançamento do livro Faces da Mente: dia 24 de outubro de 2013 – Auditório (19h – sessão de autógrafos | 20h – conferência com o Prof. Dr. Isac Karniol)
Local: Solar do Rosário Arte e Cultura – Rua Duque de Caixas, 4 – Centro Histórico – Curitiba – PR – Fone: (41) 3225-6232
Informações: http://www.karniol.com.br | http://www.solardorosario.com.br
O cérebro no contato consigo próprio, com o corpo e ambiente codifica imagens (também chamadas mapas ou cartografias); influenciadas por emoções, sentimentos e visando a preservação da vida, estas imagens se intercomunicam. Elas seriam responsáveis pelo funcionamento mental e comportamento tanto inconsciente (automático) como consciente (deliberativo).
A partir do inconsciente que corresponde a 95% do funcionamento cerebral, normalmente duas ou mais imagens podem atingir concomitantemente a consciência, trazendo até mensagens (sentimentos) opostos como amor e ódio. A partir da nossa experiência clínica advogamos que nos transtornos mentais a consciência seria invadida por uma tempestade de imagens ou pedaços delas, não suficientemente elaboradas no inconsciente e acompanhadas por intensas emoções e sentimentos. A consequência disto seriam os sintomas que caracterizam as doenças. Fenômenos semelhantes, talvez menos intensos, ocorreriam com pessoas criativas, artistas inovadores e gênios. A diferença deles em relação aos doentes é que conseguiriam transitar destes estados que propiciam inovações para outros onde uma linguagem ligada a realidade é possível. A literatura científica moderna indica que a diferença entre loucura e sanidade não seria categórica, absoluta, mas dimensional, onde a proporção maior de sintomas é que possibilitariam os diagnósticos.
Nesta exposição e no livro Faces da Mente utilizando a produção artística e possibilidade de comunicação de artistas consagrados e pessoas que tem ou já tiveram surtos ou episódios de doenças mentais, pretendemos mostrar quão difícil na prática é muitas vezes fazer esta diferenciação.
Prof. Dr. Isac Germano Karniol e Psic. Patrícia S. Lopes Karniol
Confira como foi do evento
Obras e Artistas
Ana Maria
Egas Francisco
Nasceu em São Paulo, mas radicou-se em Campinas ainda criança. Autodidata e professor de pintura, pinta desde a infância. Pintor figurativo, não ignora as experiências abstratas. Sua primeira exposição foi aos 18 anos no Teatro Municipal e na galeria do Centro de Ciências Letras e Artes, em Campinas.
Já expôs na Alemanha, Holanda, Itália, França, Estados Unidos, México e Argentina. Muito divulgado na Europa, especialmente na Alemanha e Itália, onde expôs várias vezes, tem em seu próprio país um reconhecimento muito tímido.
Obras em Acervos: Tem obras em importantes coleções particulares da Europa, América Latina e em acervos de museus e pinacotecas, tais como: Museu de Arte de Murcia (Madri-Espanha), Museu da UNICAMP (Campinas-SP), MACC (Campinas-SP), Monastério dos Dominicanos do Leme (Rio de Janeiro-RJ), Pinacoteca do Centro de Ciências Letras e Artes (Campinas-SP).
Laura Nehr
Artista plástica, trabalha principalmente com escultura figurativa em argila, buscando um diálogo sutil entre a figuração moderna, alguns ícones da existência atual e o raciocínio da montagem contemporânea, incluindo reprodução da imagem.
Acredita que a arte sincera salva e justifica de alguma maneira a existência humana.
É formada na ECA-USP, Pós-graduada em Artes Visuais pela USJT e com Mestrado em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp.
Atua como docente desde 2002 em instituições de ensino superior na área de escultura, modelagem e arte contemporânea. Leciona em seu atelier particular. Apresenta também oficinas em instituições de ensino e culturais.
Mantém um blog sobre escultura para estabelecer contato com seus alunos e o público interessado nas técnicas e conceitos da escultura tradicional e suas vertentes contemporâneas: www.lauranehr.com
Patrícia S. L. Karniol
Da relação com os meus pacientes e da influência da minha própria história surge a série Abaporus.
Sérgio
Léo
Maria Inês S. Parada
Rafael

Caminhos
Sou metáfora dos signos
Pertenço ao tempo
Matéria dotada de intelecto
Todas as ideias saem prontas
Devorando o frágil pensamento
Dentro do escudo ósseo craniano
A vida e seus três lados
E nenhum deles, o caminho
Toda a realidade parte de um princípio,
Ilusão
Além do bem e do mal
Consciência crítica
A vida hoje é artificial
Um produto novo
Não funciona, está quebrado
E uma outra hora
Um novo tempo
Tempo de ir para fora
De fazer acontecer
O agora e nada mais.
Quem dera eu pudesse partir
Simplesmente ir embora, para outro lugar
Em que não precise ser, pois já se é.
Talvez devesse parar de sonhar, de chorar
E começar a viver o real
Tudo passa pelos cinco sentidos
E o que volta?
De dentro pra fora e novamente
De fora pra dentro.

Lena
À minha loucura – Um brinde em série
A loucura é feia e bonita.
Feia porque num palco para o sucesso é incabível.
Linda porque há um lugar em astro mais fantástico.
É desprezível para uns porque se desconhecem.
É fantástica também para outros porque parece inofensiva.
É um escape daquilo que não se entende ou não se veste.
Mas é uma busca mergulhante para conhecer uma profundeza.
Profundeza esta que não se encontra escrita. Não se vê, nem se apalpa.
Se sente, pois, no fluxo do sangue trafegando por entre as veias.
Veias estas que não são visíveis – nem é possível tocá-las com uma agulha de seringa.
A loucura não é triste nem alegre embora espelhe alegria para uns e tristeza para outros.
Ela é uma tempestade de lágrimas que saem de uma boca que sorri.
Transparece numa língua afiada que estardalhaça corações. Ameaça vontades dos mais capazes. Provoca impulsos dos mais severos. Acima de tudo “e por tudo” é um voo alto de um ente que sente suas asas mutiladas embora elas estejam inteiras ali.
Mas a loucura tem um ritmo, uma cadencia que vive por entre torpedos de desespero se faz leve como uma folha de carvalho dançando ao vento livre, não há destino, não há piloto…. Um dia – “se Deus quiser”- Dizem, cairá no chão. Mas antes é um crepúsculo. E que crepúsculo!
A loucura anda só, não há parceiros. Nela e dela não se enxerga e porque não se enxerga se vê o mundo que não tem limites, no alfabeto, mas que está preso num corpo como todas aquelas veias.
Nela está um desespero triunfante e que boa parte das respostas vem à tona, e, para descrevê-las… a única maneira é vivê-las.
Doutor, obrigada por poder escrever isto.
E isto é só a vida.





























